Sou, por norma, feliz.
Sou uma eterna insatisfeita, mas dentro das minhas insatisfações vou-me sentindo completa, por muito ilusória que seja essa sensação. Não sou de caprichos avultados, mas gosto muito dos pequenos prazeres da vida. E note-se que, para mim, esses pequenos prazeres da vida são, precisamente, viver. Rir, dançar, deixar-me levar pela música, sentir o vento, o quentinho do sol, cheirar a terra molhada, encher a barriga da sabores bons, dar abraços profundos, beber copos, fumar cigarros noite dentro. Gosto mais de viver em pleno do que materializar a vida, e acho que talvez esta seja uma das minhas maiores virtudes. Viver está sempre à frente de qualquer coisa. Pelo menos, esforço-me muito para que assim seja. E gosto, sou feliz, mesmo cá com as minhas insatisfações.
Hoje sou assim, mas não fui sempre. Fui aprendendo, ganhando uma certa experiência. Espantem-se, é preciso uma certa experiência para saber viver assim, mas é uma experiência tão boa, que vale a pena repetir!
Fui aprendendo e aprendi muito contigo, meu amor. Sim, meu amor grande há 426 dias e, quem sabe, de outra vida, foste tu quem me ensinou a viver melhor, e tenho a certeza que ainda não aprendi tudo. Contigo sou mais plena, dou mais valor aos dias (porque já sei o quanto custam sem ti e quão bons são contigo). Contigo aprendi a paz, a calma que os dias podem ter e a vida boa que levo. Contigo aprendi a ouvir melhor, a prestar mais atenção a coisas insignificantes, torná-las assim bonitas. Aprendi o amor, o amar, o teu abraço. Aprendi a descomplicação, a simplicidade das coisas e como isso é bonito.
Tu és tão bonito. Tão bonito de ti e tão bonito da alma.
Há 426 dias sou mais feliz por causa de ti, por tudo o que aprendo contigo.
Mas tenho mais para aprender. Tão mais!
Por mais 426 dias ou, quem sabe, o resto de mais uma vida.
Com (tanto) amor,
Fran.



