segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Um self-reminder fatela

Nunca gostei nada dessa treta das metas e objetivos de ano novo. O que é isso afinal? Uma qualquer espécie de regras que estabelecemos à nossa própria vida antes sequer de começar a vivê-la? Não faz sentido.
No entanto, eu não tenho metas nem objetivos, mas tenho vários desejos, e gostava tanto que fossem verdadeiramente meus... 
Quero escrever mais, sem dúvida. Mais que isso, quero ler mais... Tão mais!
Quero aprender mais, fazer por isso e tomar as rédeas do conhecimento que me chega.
Quero passear. Virar Lisboa do avesso primeiro e transformar Portugal num amigo do peito, daqueles que se conhecem bem. As ilhas ficam para quando o meu porquinho permitir.
Gostava de ir a um concerto ou dois, mas já não faço assim tanta questão. É verdade, é realmente a minha praia, mas já vivi tantos concertos... por que não viver outra coisa a partir de agora?
Gostava de me superar algumas vezes e sentir muitas vezes que dei o meu melhor.
Quero gerir melhor o meu tempo e chegar a cada final de dia a pensar que valeu a pena. Basta de preguiça e procrastinação.
Agora é tempo de viver.
Quero comer melhor e conhecer cabe beco escondido do Bairro Alto que lá tem um espaço agradável para comer agradavelmente bem. 
Quero ir a tantos terraços quanto possível ver o pôr-do-sol. E quando não for possível, então que fiquemos pelo Adamastor a apreciar tamanha multiculturalidade, sons e gargalhadas.
Quero cheirar mais livros, percorrer mais alfarrabistas, daqueles bem escondidos com livros a 1€.
Quero muito mar, sol, paraísos pequeninos. Mas também quero muito solinho alentejano e paisagens douradinhas.
Quero reuniões familiares, amizades de unha e carne e o meu amor sempre.
São desejos pequeninos, e tão grandes para mim.

Agora, vou ler isto todas as semanas. 
São fatelas, estes self-reminders.
Mas ainda existem.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Em viagens

Aproveitei os últimos dias do ano para me lavar de ti, contigo. Às vezes é importante renovar, ainda que seja para não alterar absolutamente nada. 
Eu não quero mudar nada, sabes?
Também não queria, mas já pintei cenários atrás de cenários e parecem-me todos tão reais. 
Aprendi que não há nada mais saboroso no universo do que a reciprocidade (a seguir a ti), e que aquela coisa do "aceitamos o amor que achamos que merecemos" é mentira. Na verdade, quando existe disposição para isso, é possível aceitarmos amor mesmo quando sabemos que nem sequer o merecemos. E sabes, o amor é isso mesmo.
Ainda bem que existes. 
Ainda bem que és tão grande parte de mim.
Ainda bem que és tão inacabável em mim.
Tantas viagens aleatórias com finais felizes e destinos bonitos, num comboio, num autocarro, num abraço, em lençóis, fora deles, em fins de tarde à beira-mar e salas cheias daquela fumaça, cheias daquelas músicas. Aquelas, tu sabes.
Tantos brindes e gargalhadas e falta de ar. Tiras-me o ar.
Na verdade tiras-me tudo, desmanchas-me e despes-me de tudo. De mim e dos meus problemas e de tudo o que me envolve para poder ser plenamente tua e, calmamente, harmonizar-me numa simbiose contigo. Perder-me em ti, na tua pele e nas palavras bonitas que me dizes depois de orgasmos em Saturno.
É tão bom viajar e poder ser tu contigo.
Amo-te.

Fran