Nunca gostei nada dessa treta das metas e objetivos de ano novo. O que é isso afinal? Uma qualquer espécie de regras que estabelecemos à nossa própria vida antes sequer de começar a vivê-la? Não faz sentido.
No entanto, eu não tenho metas nem objetivos, mas tenho vários desejos, e gostava tanto que fossem verdadeiramente meus...
Quero escrever mais, sem dúvida. Mais que isso, quero ler mais... Tão mais!
Quero aprender mais, fazer por isso e tomar as rédeas do conhecimento que me chega.
Quero passear. Virar Lisboa do avesso primeiro e transformar Portugal num amigo do peito, daqueles que se conhecem bem. As ilhas ficam para quando o meu porquinho permitir.
Gostava de ir a um concerto ou dois, mas já não faço assim tanta questão. É verdade, é realmente a minha praia, mas já vivi tantos concertos... por que não viver outra coisa a partir de agora?
Gostava de me superar algumas vezes e sentir muitas vezes que dei o meu melhor.
Quero gerir melhor o meu tempo e chegar a cada final de dia a pensar que valeu a pena. Basta de preguiça e procrastinação.
Agora é tempo de viver.
Quero comer melhor e conhecer cabe beco escondido do Bairro Alto que lá tem um espaço agradável para comer agradavelmente bem.
Quero ir a tantos terraços quanto possível ver o pôr-do-sol. E quando não for possível, então que fiquemos pelo Adamastor a apreciar tamanha multiculturalidade, sons e gargalhadas.
Quero cheirar mais livros, percorrer mais alfarrabistas, daqueles bem escondidos com livros a 1€.
Quero muito mar, sol, paraísos pequeninos. Mas também quero muito solinho alentejano e paisagens douradinhas.
Quero reuniões familiares, amizades de unha e carne e o meu amor sempre.
São desejos pequeninos, e tão grandes para mim.
Agora, vou ler isto todas as semanas.
São fatelas, estes self-reminders.
Mas ainda existem.