quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Em viagens

Aproveitei os últimos dias do ano para me lavar de ti, contigo. Às vezes é importante renovar, ainda que seja para não alterar absolutamente nada. 
Eu não quero mudar nada, sabes?
Também não queria, mas já pintei cenários atrás de cenários e parecem-me todos tão reais. 
Aprendi que não há nada mais saboroso no universo do que a reciprocidade (a seguir a ti), e que aquela coisa do "aceitamos o amor que achamos que merecemos" é mentira. Na verdade, quando existe disposição para isso, é possível aceitarmos amor mesmo quando sabemos que nem sequer o merecemos. E sabes, o amor é isso mesmo.
Ainda bem que existes. 
Ainda bem que és tão grande parte de mim.
Ainda bem que és tão inacabável em mim.
Tantas viagens aleatórias com finais felizes e destinos bonitos, num comboio, num autocarro, num abraço, em lençóis, fora deles, em fins de tarde à beira-mar e salas cheias daquela fumaça, cheias daquelas músicas. Aquelas, tu sabes.
Tantos brindes e gargalhadas e falta de ar. Tiras-me o ar.
Na verdade tiras-me tudo, desmanchas-me e despes-me de tudo. De mim e dos meus problemas e de tudo o que me envolve para poder ser plenamente tua e, calmamente, harmonizar-me numa simbiose contigo. Perder-me em ti, na tua pele e nas palavras bonitas que me dizes depois de orgasmos em Saturno.
É tão bom viajar e poder ser tu contigo.
Amo-te.

Fran

Sem comentários:

Enviar um comentário